quinta-feira, 31 de março de 2011

Tarefa para as três salas do Ensino Médio-Tableau1 - 01 de abril - Para entregar dia 04 de abril

UFPR - 2008

Faça um resumo, de até 10 linhas, do texto abaixo.
Compro, logo existo

Templo de culto à mercadoria, o modelo do shopping center, como o conhecemos hoje, nasceu nos Estados Unidos na
década de 1950. São espaços privados, objetivamente planejados para a supremacia da ação de comprar. O que se compra nesses
centros, contudo, é muito mais do que mercadoria, serviços, alimentação e lazer. Compra-se distinção social, sensação de segurança
e ilusão de felicidade e liberdade.
O shopping center é um centro de comércio que se completa com alimentação (normalmente do tipo fast food), serviços
(bancos, cabeleireiros, correios, academias de ginástica, consultórios médicos, escolas) e lazer (jogos eletrônicos, cinema, Internet).
Ali o consumidor de mercadorias se mistura com o consumidor de serviços e de diversão, sentindo-se protegido e moderno. Fugindo
de aspectos negativos dos centros das cidades e da busca conjunta de soluções para eles, os shopping centers vendem a imagem de
serem locais com uma melhor “qualidade de vida” por possuírem ruas cobertas, iluminadas, limpas e seguras: praças, fontes,
boulevares recriados; cinemas e atrações prontas e relativamente fáceis de serem adquiridas – ao menos para os que podem pagar.
É como se o “mundo de fora”, a vida real, não lhes dissesse respeito...
O que essa catedral das mercadorias pretende é criar um espaço urbano ideal, concentrando várias opções de consumo e
consagrando-se como “ponto de encontro” para uma população seleta de seres “semiformados”, incompletos, que aceitam fenômenos
historicamente construídos como se fizessem parte do curso da natureza. O imaginário que se impõe é o da plenitude da vida pelo
consumo. Nesses espaços, podemos ocupar-nos apenas dos nossos desejos – aguçados com as inúmeras possibilidades disponíveis
de aquisição. Prevalece a idéia do “compro, logo existo”.
Concluímos que esse mundo de sonhos que é o shopping center acaba reforçando nas pessoas uma visão individualista da
vida, onde os valores propagados são todos relacionados às necessidades e aos desejos individuais – “eu quero, eu posso, eu
compro”. Assim, colabora para uma deterioração do ser social e o retardamento do projeto de emancipação de seres mais
conscientes, autônomos, prontos para a sociabilidade coletiva – que exige a capacidade da troca desinteressada, da tolerância, da
relação verdadeiramente humana entre o eu e o outro, entre iguais e entre diferentes. Compreendemos que um ser social emancipado
identifica as necessidades individuais com as da coletividade, sem colocá-las em campos opostos.
O shopping center híbrido representa hoje o principal lugar da “sociedade de consumo”, contribuindo para a sacralização do
modo de vida consumista e alienado, um modo de vida em que há uma evidente predominância de símbolos como status, poder,
distinção, jovialidade, virilidade etc. sobre a utilidade das mercadorias. O que se pode concluir é que o sucesso da fórmula atual do
shopping center híbrido como lugar privilegiado para a realização da lógica consumista traz consigo o fracasso da plenitude do ser
social, distanciando-o de qualquer projeto de emancipação e de humanização do ser humano. Como diz o poeta Carlos Drummond de
Andrade [1902–1987] no poema Eu, etiqueta: “Já não me convém o título de homem./ Meu nome novo é coisa./ Eu sou a coisa,
coisamente.”
(Adaptado de PADILHA, Valquíria. A sociologia vai ao shopping center. Ciência Hoje, mai. 2007, p. 30–35.)